A culinária no antigo testamento- celebrações bíblicas!

 

O grande livro do cristianismo para além de definir o caminho espiritual de milhões de pessoas ao longo da história, independentemente das diferentes interpretações religiosas, é um conjunto de documentos de grande importância para explicar a evolução dos hábitos alimentares na época antes e depois de Cristo. 

 

Embora a demarcação geográfica dos acontecimentos seja limitada a uma determinada zona do planeta, no livro do novo testamento escrito depois do nascimento de Jesus Cristo encontramos alusões a uma gastronomia bastante variada fruto certamente da expansão romana e do embate de culturas acontecido durante as mesmas.

 

A ARCA DE NOÉ 

No livro dos Génesis, que explica o início de tudo, encontramos a primeira referência à alimentação quando Eva dá a Adão a maçã da àrvore proíbida e a digestão de um fruto dá origem ao pecado. O valor simbólico do acontecimento relatado, que no nosso caso terá um valor secundário, deixa antever uma relação alimentação/pecado que ainda hoje se encontra em todas as religiões do mundo.

 

O empreendimento de Noé na preparação da Arca que seria a sua salvação aquando do dilúvio denota um cuidado de grande significado e talvez até porque não utilizar um termo moderno e falar de logística alimentar; os preparativos que não terão sido necessários para reunir e armazenar alimentos para 8 pessoas suficientes para 1 ano e 11 dias. Na impossibilidade de levar carne fresca podemos concluir que a sua alimentação terá sido acima de tudo à base de cereais, frutos e legumes. Além disso os animais que levou consigo na viagem talvez fornecessem leite e ovos mas por seu lado necessitavam também eles próprios de alimentos.

 

Se tentar-mos ordenar historicamente Noé, o seu período de vida terá sido no ano 4000 antes de Cristo, no período entre o Neolítico e a Idade do Bronze, nessa altura o homem era Nómada, seguia a sua manada na busca das pastagens alimentando-se também ele de vegetais, frutos e cereais. Serão dessa altura as primeiras tentativas para conseguir a farinha de trigo e cozer um tipo de pão quase liso sobre uma pedra quente, num processo ainda hoje usado pelos Beduínos na zona do Mar Vermelho e Sinai.

 

O fim do dilúvio marcará também a fixação, embora lenta, do homem à terra, nesse período que compreende certamente centenas de anos, o homem aprende a domesticar os animais, cultiva cereais e junto ao mar, lagos e rios alimenta-se também de peixe e moluscos. A piscicultura só muitas centenas de anos mais tarde por volta do século VIII a IX irá ter o seu desenvolvimento.

 

Se na atividade nómada comer era o acto mais simples de matar a fome, a sedimentação do homem marcará o início da refeição como celebração de momentos, convívio entre a comunidade da aldeia, na forma mais simples de reunião; a refeição era o ponto de partida para a tomada de decisões comunitárias. A repartição de tarefas será também fruto desta época em que o homem prepara os utensílios, caça e pesca e a mulher cuida dos cereais, frutas e legumes. Os alimentos são usados como moeda de troca.

 

A organização da sociedade leva ao surgimento de classes e com o decorrer do tempo à criação de fortunas e impérios e à diferenciação de hábitos alimentares.

 

MOISÉS

 A época de Moisés coincide com o ascender da grandiosidade do império Egípcio, o culto da morte e do luxo, num tempo em que a vida e a morte eram celebradas, grandes e opulentos banquetes marcavam os encontros e reuniões no Palácio do Faraó.

 

Embora tenha nascido hebreu, conta a história que Moisés cresceu como um príncipe Egípcio, tendo usufruído de todos os privilégios das cerimónias festivas do Faraó. Num ritual de praxe os convidados chegavam por volta do meio-dia, sendo conduzidos para salas perfumadas com incenso e mirra; servidores untavam-lhes a testa com óleo de cheiros, enquanto estes lavavam os pés em bacias de ouro com água perfumada. A receção era complementada por melodias de Harpa, Lira, Guitarra, Tamborim e Flauta. Bebia-se em copo de bronze e cobre com pega; as mulheres eram servidas num ritual diferente; um servidor trazia a bebida num recipiente em forma de vaso e enchia uma tigela que um escravo por sua vez dava à dama.

 

No início da refeição, cada prato era servido numa mesa própria e cada convidado recebia a sua mesa, era servida uma sopa de couve, com a qual se pretendia aguçar o apetite dos convivas para o consumo de vinho. Depois era servida uma sopa de amêndoa ou lentilha, muito apreciada não tanto pelo sabor mas mais pela colher de marfim ou bronze que estava muito em moda na altura. O festim cerimonial demorava várias horas sendo os pratos principais constituídos por todo o tipo de peixes e carne de gazela, pato, ganso, codornizes e outras aves; os animais por tradição e para manter a frescura da carne só eram mortos quando chegavam os primeiros convivas. Enquanto que o ganso era na antigo Egipto o prato nacional, a ovelha, a cabra, o cabrito e carneiro não eram utilizados na alimentação devido ao facto de a sua lã ser muito apreciada. Nas margens férteis do rio Nilo cresciam várias espécies de legumes sendo o aipo o mais apreciado. Para acompanhar o repasto era servido vinho e cerveja.

 

As pinturas na parede da campa de Ramses III mostram que o pão quase sempre com formas de animais ou enrolado em forma de caracol era amassado com os pés numa pia própria e cozido em grandes fornos construídos com lama do rio Nilo. Outra pintura de parede, numa campa de alguém que poderá ter sido um “gourmet” da época, mostra-nos um livro de cozinha aberto no qual é possível identificar dez tipos de carne diferentes, cinco tipos de aves, dezasseis tipos de pão e bolos, seis vinhos, quatro cervejas e onze frutos.

 

No final da refeição o Faraó agradecia aos Deuses a dávida e iniciava-se a parte festiva da cerimónia com música, cânticos por raparigas jovens, malabaristas animavam, jogos de sorte e azar, já nesta altura se praticava o jogo de damas na forma como hoje o conhecemos...

Le chef

(MyFoodStreet 2019-visita a página)

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