O Molho Inglês-No segredo dos deuses!

 

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Caroline Attwood

 

A designação “Molho Inglês” ou “Worcestershire” é reconhecida em todo o mundo; com 25 milhões de litros vendidos anualmente, faz parte de toda a cozinha privada, de restaurante ou hotel que se preze, mesmo em bares ele é imprescindível. Que seria um bloody mary sem umas gotas de molho inglês?

 

A sua descoberta deve-se, no entanto, ao destino e ao mau gosto de um Lord inglês. No século passado John Lea e William Perrins geriam pacatamente em Worcester na Broad Street uma pequena farmácia, até que um dia, corria o ano de 1835 foram solicitados por Lord Marcus Sandys que lhes apresentou uma receita para um molho ao seu gosto. Os ingredientes eram tão exóticos que o citado Lord, na altura Governador de Benguela, esperava com a ajuda dos farmaceuticos conseguir preparar o molho que conhecera no desempenho da sua atividade diplomática. 

 

Os dois dedicaram-se ao trabalho misturando os ingredientes conforme a receita, mas curiosos, aumentaram as quantidades para provarem também eles o molho e caso fosse bom terem algo especial para vender. O resultado final foi para ambos uma desilusão total, um molho espesso de sabor indescrítivel, indigerível...Lord Sandys por seu lado ficou muito satisfeito tendo adquirido a quantidade de molho encomendada.

 

Desgostosos e sem saber o que fazer com a quantidade extra de molho, sem qualquer possibilidade de venda, decidiram encher um barril de barro que colocaram no armazém, bem escondido para apagar depressa a recordação de mais uma experiência alquimista forjada. Se o Lord voltasse a encomendar teriam já o preparado pronto quando ele chegasse. 

 

O tempo passou e o Lord não voltou. Até que um dia em trabalhos de arrumação no armazém encontraram poeirento o esquecido barril com o molho esquisito. Movidos pela curiosidade própria da sua actividade de farmácia provaram a mistela que eles próprios tinham criado e qual não foi o seu espanto o seu molho tinha evoluído como um bom vinho, de sabor macio e ligeiramente acre, sem comparação possível com a mistura inicial.

A devida autorização de Lord Sandys para o uso da receita proporcionou-lhes um excelente negócio, tendo no ano de 1837 vendido 1700 garrafas sob o nome ainda hoje mundialmente conhecido de Lea & Perrins.

 

Actualmente a marca detém 40% da quota mercado, correspondendo a 100% do segundo concorrente, num volume total de vendas anuais de 12 milhões de garrafas em mais de 130 países. Apesar de todas as estratégias de marketing actuais o processo de produção manteve-se inalterável. 

 

No segredo dos Deuses

 

A obrigatoriedade da declaração de ingredientes na embalagem poderá fornecer uma ideia sobre a composição, mas a receita continua no segredo dos Deuses.

 

Só três pessoas em cada país onde é produzido conhecem o segredo da composição do molho inglês. Só essas pessoas sabem como de petingas, alhos, cebolas, sal, vinagre, cravinho, e outros ingredientes se mistura o molho.

 

Sabe-se, por exemplo que o alho tem de ser originário da primeira colheita em Espanha, que as cebolinhas vermelhas deverão ser da Holanda, no entanto mesmo os próprios empregados fazem as encomendas com códigos que nem eles conseguem decifrar.

 

O processo de fermentação é efectuado durante três anos em dois lugares diferentes no intuito de evitar o mesmo desastre que em 1964, com origem num incêndio, destruiu toda a produção de três anos.

 

Em câmaras escuras, onde só algumas pessoas podem entrar, são combinados durante três anos os diversos ingredientes. No processo ultra-moderno de enchimento em garrafas, cerca de 12 000 por dia, é adicionada àgua para ser conseguida a consistência ideal. A modernização chegou até aqui, mas todo o resto continua a ser um processo tradicional, como em 1835, no segredo dos Deuses.

Le chef

(MyFoodStreet 2019-visita a página)

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