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SOBRE DAR E RECEBER

A matemática imperfeita da vida

Há relações que nunca obedecem às regras da reciprocidade.

Damos tempo, atenção, compreensão e afeto. Estamos presentes quando ninguém está. Estendemos a mão sem que nos seja pedido. Investimos pedaços da nossa alma na esperança de que exista um retorno, não necessariamente igual, mas genuíno, mas nada. Esse retorno quase nunca chega.

E, a tristeza silenciosa vai-se instalando em nós.


O desgaste de quem dá sem receber

No início damos porque gostamos, porque acreditamos, porque sentimos que vale a pena. Sem pensar sequer num possível retorno que nem interessa sequer… Mas o tempo tem a capacidade de revelar os desequilíbrios.

Há um momento em que a fadiga se ocupa de nós e começamos a perceber que somos sempre nós a procurar, a compreender, a ceder, a permanecer, e essa descoberta pesa.

Não pelo que demos, mas pela ausência de valor que sentimos do outro lado.


Nem todos sabem reconhecer o que recebem

A verdade é difícil, mas real.
Nem todas as pessoas sabem valorizar aquilo que lhes é oferecido. Algumas habituam-se à presença. Outras confundem disponibilidade com obrigação. Outras ainda só compreendem a importância de alguém quando essa pessoa deixa de estar ali.

E é aí que muitas histórias se perdem, não por falta de amor, mas por falta de reconhecimento.


Dar continua a ser uma riqueza

Apesar de tudo, existe uma diferença importante entre quem dá e quem apenas recebe. Quem dá pode ficar magoado, mas nunca fica pobre.

Porque a generosidade, a lealdade e a capacidade de amar continuam a ser qualidades raras. O erro não está em dar demasiado, mas sim em permanecer demasiado tempo onde nada floresce em retorno.

No fim, a vida ensina-nos que nem todas as sementes germinam, mas isso não diminui a beleza de quem teve coragem de semear.

E talvez a maior paz chegue quando compreendemos que o valor da nossa entrega não depende da gratidão dos outros, mas da verdade com que escolhemos viver e sentir. by pedro de melo,2026

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O Fio da Navalha: Escrever Sem Medo

“O Fio da Navalha” é um reencontro com a escrita. Um espaço sem regras rígidas, onde as palavras surgem cruas, espontâneas e livres de máscaras. Não é diário, manifesto ou literatura: é simplesmente um lugar onde escrever significa viver, mudar e, se necessário, reescrever.

Aqui, os textos não são definitivos. Hoje dizem uma coisa, amanhã podem dizer outra, porque quem escreve também muda. Não interessam lugares, horas ou coordenadas. Interessa o momento e aquilo que merece ser dito.

Os temas serão pessoais: dúvidas, alegrias, dores, memórias, provocações e devaneios. Sempre na primeira pessoa, porque esconder o autor atrás de personagens deixou de fazer sentido.

Podes pegar neles, adpatar e reenviar, será publicada a tua versão... até que alguém se lembre de pegar nela e alterar. É um jogo talvez. 

Escrever no fio da navalha é cortar o medo. É expor pensamentos sem maquilhagem, aceitar contradições e avançar sem rede.

Voltei à escrita. Sem desculpas, sem moldes e sem medo.

 

lamina

crónicas distantes, sem tempo, sem nexo, para usares e abusares... copia, altera, faz tuas as palavras...
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by pedro de melo, aquele a quem roubaram o mar...

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