
IGNORAR NÃO É PENSAR POSITIVO A realidade continua lá, embora exista uma ideia muito popular de que pensar positivo resolve tudo e pode ajudar. Como se bastasse sorrir perante as dificuldades, repetir frases inspiradoras ou fingir que os problemas não existem para que a vida se tornasse mais leve. Certo é que a realidade não desaparece por ser ignorada. Uma tempestade continua a ser uma tempestade, mesmo quando insistimos em olhar para o céu e dizer que está tudo bem. Podemos até ignorar o guarda-chuva, o abrigo acolhedor… a tempestade está lá e vai deixar as suas marcas. A coragem de ver o que existe Pensar positivo não significa viver afastado da verdade, antes pelo pelo contrário. Enfrentar os desafios que se nos deparam. Significa olhar para a dificuldade de frente, reconhecer a dor, aceitar a perda ou admitir o problema sem deixar que isso destrua a esperança. Há uma grande diferença entre dizer "isto não está a acontecer" e dizer "isto está a acontecer, mas vou encontrar forma de seguir em frente." A esperança não vive da ilusão As pessoas mais fortes não são aquelas que fingem que tudo corre bem. São aquelas que conseguem manter a esperança mesmo quando sabem que as circunstâncias são difíceis, que não ignoram a realidade. Enfrentam-na. Mesmo sós, abandonados por aqueles é volta, mais próximos, que deveriam estar lá… mesmo por força de tantas lutas passadas… Sabem que existem feridas, obstáculos e derrotas, que deixam marcas claro, mas recusam-se a permitir que essas dificuldades definam completamente a sua história. Esse é o verdadeiro pensamento positivo. A vida pede-nos equilíbrio nada de pessimismo constante e destrutivo, nem otimismo cego. Pede lucidez. Porque só quem reconhece a existência do problema pode encontrar a solução. Só quem aceita a dor pode iniciar a cura. No fim, pensar positivo não é viver numa realidade imaginada. É olhar para a realidade tal como ela é e, apesar de tudo, continuar a acreditar que ainda existem razões para avançar. E essa talvez seja a forma mais corajosa de esperança, do acreditar… positivo. by pedro de melo, 2026
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O Fio da Navalha: Escrever Sem Medo Porquê "O Fio da Navalha"? A pergunta é legítima. Porque não “O caderno das ideias”? Ou “As palavras soltas”? Ou até “Crónicas com café”? Mas não. Tem de ser este título: “O fio da navalha.” E porquê? Porque chegou o momento de cortar o mal pela raiz. Sem hesitação. Com precisão. E, verdade seja dita, porque não há tesouras cá por casa — ou pelo menos nunca estão à mão quando mais se precisa. Mas navalhas… essas aparecem sempre. Mesmo que sejam metáforas afiadas. Este é um reencontro com a escrita. Não tardio, não forçado. Simplesmente chegou a hora. Porque as coisas acontecem quando têm de acontecer. Nem antes, nem depois. O tempo é sábio. E às vezes, para voltar a escrever, é preciso primeiro calar. É preciso viver. Um espaço de vida — com vida “O fio da navalha” não é um diário. Nem um manifesto. Nem sequer um espaço com rumo certo. É um lugar onde as palavras serão cruas, espontâneas, talvez até desajustadas. Não por rebeldia, mas por autenticidade. Este será um espaço vivo. E como tudo o que está vivo, pode mudar. Crescer. Adaptar-se. Ou simplesmente desaparecer por uns tempos, sem explicações. Não haverá regras. Só uma:
Porque aqui, os textos podem ser alterados. Atualizados. Rasurados. Hoje fazem sentido, amanhã talvez não. A escrita não é monumento de pedra — é carne e osso. É respiração. É momento. E se algo for reescrito, que seja. Sem pedido de desculpas. Sem necessidade de coerência. Porque a vida também não o é. O que não vais encontrar aqui Não vais encontrar localizações geográficas. Nem marcas de tempo. Não interessa onde estou, a que horas escrevo, ou em que canto do mundo me sento para despejar estas linhas. O espaço é o agora. E o agora é onde a palavra acontece. Se houver mesmo curiosidade… pergunta. Quem sabe até respondo. Ou não. Porque, no fundo, nem sempre interessa onde o corpo está, se a alma está longe. Assuntos que doem — ou que salvam Neste espaço, os temas serão próximos. Pessoais. Até egoístas. Porque, por muito que se tente disfarçar, todos escrevemos sobre nós. Mesmo quando dizemos que não. Mesmo quando usamos metáforas. Mesmo quando inventamos personagens, realidades ou histórias. É uma espécie de confissão. Uma conversa entre egos — ou cegos, como preferirem entender. Podem surgir reflexões banais, dores profundas ou devaneios ridículos. E está tudo certo. Porque isto não é jornalismo, nem literatura. É escrita crua. Esfolada. Sem rascunho. Terceira pessoa? Não, obrigado. Ah, sim. Quase me esquecia. Uma certeza absoluta: não dá para escrever na terceira pessoa. Já tentei. Em tempos. Criei máscaras. Personagens. Vozes distantes. Quis escrever como se fosse outro, apontar verdades, lançar provocações, sem que soubessem que era eu. Queria esconder-me. Proteger-me. Ou talvez enganar-me. Mas não deu. O ego é maior. A primeira pessoa impõe-se. Grita. Reclama espaço. E é essa que fica. A que entra com as botas sujas e se senta sem pedir licença. A que diz o que pensa, mesmo quando não devia. A que fecha a porta, no fim, e fica em silêncio. Sim, será sempre essa primeira pessoa — a que escreve, a que sente, a que parte e volta. Cortar o medo, não as pontas Este “fio da navalha” não serve para cortar pontas espigadas. Serve para ir fundo. Para abrir espaço onde o medo mora. Para expor dúvidas, angústias, alegrias… sem maquilhagem. Porque escrever, para mim, é despir-me devagar. Palavra a palavra. Corte a corte. E se às vezes sangra… é sinal de que ainda estou vivo. Talvez este espaço seja isso mesmo: uma ferida aberta. Mas cuidada. Com intenção. Com arte. Conclusão: E tu, escreves no fio da navalha? Cada um tem o seu fio. O seu limite. O seu ponto onde a coragem encontra o medo e decide avançar. Este é o meu. Talvez escreva para mim. Talvez para ti. Talvez para ninguém. Não interessa. O que importa é que voltei. E volto assim: sem desculpas, sem moldes, sem rede. Se leres hoje… volta daqui a um mês. Prometo que já não será igual. Porque eu também já não serei. |
by pedro de melo, 2019 |

INDEX CULINARIUM XXI, Divulgação Global























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