tristezas

 

Dores acumuladas em tristezas silenciosas

Nem toda a tristeza chora

Existem tristezas silenciosas, daquelas que não se anunciam em lágrimas nem procuram colo nem conforto. Instalam-se devagar, quase sem ruído, como uma chuva fina que entra pelas frestas da alma, que vão devorando, sem pedir licença.

No início, a tristeza parece apenas cansaço. Um afastamento estranho da alegria. Uma ausência do dia-a-dia difícil de explicar. Uma apatia repetida.

Mas a tristeza, quando permanece demasiado tempo dentro de nós, transforma-se. Apodrece em silêncio, como a água que choca… estagnada cheira mal.

E sai de nós sob a forma de raiva… criando, à nossa volta, cenários de incompreensão e repulsa para quem mais ou menos de perto nos acompanha.


As desilusões deixam marcas invisíveis

Quase todas as grandes feridas começam numa mazela pequena; daí que pequenas expectativas também podem causar grandes feridas!

Há uma distância muito grande entre aquilo que esperamos e o que recebemos de volta; o tal esperado… que nada tem a ver com o prometido… desse já nem falamos aqui… será assunto para outro dia… se houver pachorra.

Esperávamos presença… e recebemos distância até ausência constante. Esperávamos verdade… e encontrámos mentira sob forma de ignorância.

Depositamos partes de nós em pessoas, promessas, lugares e sonhos que acreditávamos seguros. E talvez seja isso que mais dói nas desilusões: não é apenas perder alguém ou alguma coisa. É perder a esperança… é sentir o desmoronar do castelo que fomos construindo.

Há momentos em que o coração percebe que foi ingénuo. E nesse instante nasce uma revolta silenciosa contra tudo — contra os outros, contra o mundo e, muitas vezes, contra nós próprios… em forma de raiva.

Porque ninguém gosta de admitir que acreditou demais.

A raiva é uma dor cansada

Embora, muita gente, sinta a raiva como agressividade, a raiva é tristeza acumulada em experiências e batalhas perdidas. É desilusão…

É o grito de quem suportou demasiado tempo em silêncio. É o resultado de palavras engolidas, injustiças repetidas, e noites onde a mente não encontrou descanso.

A raiva não nasce forte. Nasce ferida.

E talvez por isso tenha tanta intensidade. Porque transporta dentro dela tudo aquilo que nunca conseguiu ser resolvido emocionalmente.

Há pessoas que se tornam frias porque cansaram de sentir. Outras tornam-se agressivas porque já não sabem explicar a própria dor sem levantar muros.

No fundo, muitos dos comportamentos que assustam escondem apenas corações profundamente magoados.

Nem toda a cura é suave

Existe uma ideia romântica de que curar significa paz imediata, serenidade constante e leveza. Mas a verdade é mais complexa.

Às vezes, antes da calma, vem o confronto.

Antes do perdão, vem a revolta de finalmente perceber tudo aquilo que nos feriu durante anos. Há dores que precisam primeiro de sair do silêncio para começarem a desaparecer… os tais gritos de raiva…

E isso pode doer ainda mais.

Porque enfrentar uma desilusão obriga-nos a aceitar que certas pessoas nunca foram aquilo que imaginávamos. Obriga-nos a abandonar versões antigas de nós próprios. Obriga-nos a crescer emocionalmente, mesmo quando não queremos.

Mas nenhuma tempestade vive para sempre

A água parada apodrece. A dor guardada também.

Talvez a verdadeira coragem não esteja em fingir que nada nos afeta, mas em atravessar a tristeza sem deixar que ela nos transforme em alguém incapaz de amar outra vez.

Porque a raiva pode proteger durante algum tempo… mas nunca terá alicerces para construir um futuro.

E no fim, talvez a maior vitória seja esta: continuar humano depois de tudo o que endureceu o coração e a alma... para sempre...

By pedro de melo 2026

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O Fio da Navalha: Escrever Sem Medo

“O Fio da Navalha” é um reencontro com a escrita. Um espaço sem regras rígidas, onde as palavras surgem cruas, espontâneas e livres de máscaras. Não é diário, manifesto ou literatura: é simplesmente um lugar onde escrever significa viver, mudar e, se necessário, reescrever.

Aqui, os textos não são definitivos. Hoje dizem uma coisa, amanhã podem dizer outra, porque quem escreve também muda. Não interessam lugares, horas ou coordenadas. Interessa o momento e aquilo que merece ser dito.

Os temas serão pessoais: dúvidas, alegrias, dores, memórias, provocações e devaneios. Sempre na primeira pessoa, porque esconder o autor atrás de personagens deixou de fazer sentido.

Podes pegar neles, adpatar e reenviar, será publicada a tua versão... até que alguém se lembre de pegar nela e alterar. É um jogo talvez. 

Escrever no fio da navalha é cortar o medo. É expor pensamentos sem maquilhagem, aceitar contradições e avançar sem rede.

Voltei à escrita. Sem desculpas, sem moldes e sem medo.

 

lamina

crónicas distantes, sem tempo, sem nexo, para usares e abusares... copia, altera, faz tuas as palavras...
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by pedro de melo, aquele a quem roubaram o mar...

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