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Os Parasitas da Alma

Nem todos os parasitas vivem no corpo

Quando ouvimos a palavra "parasita", imaginamos algo que se alimenta de um organismo sem nada oferecer em troca. Pensamos em seres invisíveis que retiram energia, força e vitalidade. Mas a vida ensina-nos que existem outros parasitas.

Não vivem no corpo, mas nas relações, nos ambientes, nos hábitos e, por vezes, até nos pensamentos que alimentamos durante anos sem nos apercebermos do preço que estamos a pagar.

Chegam devagar. Disfarçados de normalidade. E é precisamente por isso que são tão difíceis de identificar.


A arte de consumir sem dar

Há pessoas que entram na nossa vida como quem procura abrigo.

Nada de errado nisso. Todos precisamos dos outros em determinados momentos. O problema começa quando a necessidade se transforma em dependência permanente e a relação deixa de ser uma troca para se tornar uma drenagem.

São aqueles que procuram constantemente o nosso tempo, a nossa energia, a nossa disponibilidade e até a nossa paz.

Recebem muito. Oferecem pouco.

E fazem-no de forma tão subtil que, muitas vezes, apenas sentimos o cansaço, o esgotamento, sem perceber a origem.

Saímos de uma conversa mais pesados do que entrámos. Terminamos um encontro emocionalmente esgotados. E, ainda assim, continuamos a justificar comportamentos que nos ferem.

E depois há os parasitas invisíveis, sem rosto… que vivem dentro de nós.

São ressentimentos antigos que recusamos libertar. Medos que ocupam espaço excessivo. Culpas que sobreviveram muito para além da sua utilidade. Pensamentos negativos que regressam diariamente para nos lembrar falhas, derrotas e inseguranças.

Alimentamo-los sem querer.

Damos-lhes atenção, repetimos os seus discursos e permitimos que ocupem lugares que deveriam pertencer à esperança, à criatividade ou à serenidade.

Pouco a pouco, consomem-nos… dia após dia...


O difícil exercício de dizer basta

Existe um momento na vida em que percebemos que proteger a nossa paz não é egoísmo… mas uma necessidade de sobrevivência…

Nem todas as pessoas podem permanecer connosco para sempre. Nem todos os hábitos merecem continuar. Nem todos os pensamentos devem ser convidados a permanecer à mesa da nossa consciência.

Aprender a estabelecer limites é uma forma de higiene emocional.

Tal como cuidamos do corpo, também precisamos de cuidar daquilo que alimenta ou desgasta o espírito.

E, por vezes, a decisão mais saudável é afastar-nos daquilo que nos enfraquece. Sem raiva. Sem vingança. Apenas com a lucidez necessária para enfrentar novos desafios.

Cultivar aquilo que nos faz crescer

A natureza oferece uma lição simples: uma árvore saudável não cresce porque elimina todas as dificuldades, mas porque recebe aquilo de que precisa para florescer.


O mesmo acontece connosco.

Quanto mais espaço damos à gratidão, à amizade sincera, ao afeto genuíno e aos projetos que nos inspiram, menos terreno sobra para aquilo que apenas nos consome.

No fim, a vida é também uma escolha constante sobre o que permitimos que se alimente de nós. Porque existem presenças que acrescentam raízes, e outras que apenas retiram seiva.

A sabedoria talvez esteja em aprender a distinguir umas das outras antes que a nossa própria energia deixe de florescer.

Porque: O melro também só leva o que lhe faz falta… by pedro de melo, 2026

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O Fio da Navalha: Escrever Sem Medo

“O Fio da Navalha” é um reencontro com a escrita. Um espaço sem regras rígidas, onde as palavras surgem cruas, espontâneas e livres de máscaras. Não é diário, manifesto ou literatura: é simplesmente um lugar onde escrever significa viver, mudar e, se necessário, reescrever.

Aqui, os textos não são definitivos. Hoje dizem uma coisa, amanhã podem dizer outra, porque quem escreve também muda. Não interessam lugares, horas ou coordenadas. Interessa o momento e aquilo que merece ser dito.

Os temas serão pessoais: dúvidas, alegrias, dores, memórias, provocações e devaneios. Sempre na primeira pessoa, porque esconder o autor atrás de personagens deixou de fazer sentido.

Podes pegar neles, adpatar e reenviar, será publicada a tua versão... até que alguém se lembre de pegar nela e alterar. É um jogo talvez. 

Escrever no fio da navalha é cortar o medo. É expor pensamentos sem maquilhagem, aceitar contradições e avançar sem rede.

Voltei à escrita. Sem desculpas, sem moldes e sem medo.

 

lamina

crónicas distantes, sem tempo, sem nexo, para usares e abusares... copia, altera, faz tuas as palavras...
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Esperas e outras horas vazias...
by pedro de melo, aquele a quem roubaram o mar...

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