
O PESO DAS ESCOLHAS A vida é feita de encruzilhadas, desde o primeiro momento em que começamos a decidir por nós próprios, a vida transforma-se numa sucessão de escolhas. Algumas parecem insignificantes. Outras mudam destinos. Escolhemos caminhos, pessoas, palavras, silêncios, oportunidades e até as batalhas que decidimos travar. Muitas dessas decisões são tomadas em segundos. Outras exigem meses ou anos de reflexão. Mas todas têm algo em comum: deixam marcas. E, gostemos ou não, cada escolha transporta consigo uma consequência. A tentação de procurar culpados Quando a vida corre bem, raramente questionamos quem foi responsável. Celebramos conquistas, atribuímos mérito ao esforço, ao talento e à persistência. Mas quando surgem os erros, as perdas ou as desilusões, a tendência humana muda. Procuramos explicações. Procuramos culpados. Acusamos as circunstâncias, a sorte, o tempo, a família, a sociedade ou as pessoas que cruzaram o nosso caminho. Ninguém vive isolado. Todos somos influenciados pelo ambiente, pela educação recebida, pelas oportunidades disponíveis e até pelos acontecimentos que não controlamos. Mas existe uma fronteira silenciosa que não podemos ignorar. As decisões que foram nossas porque a liberdade, só por si e das escolhas tem um preço. Muitas pessoas desejam liberdade, querem escolher o próprio rumo, viver segundo as próprias regras e construir a vida à sua maneira. Mas a liberdade verdadeira traz consigo uma exigência pouco confortável: a responsabilidade. Não podemos reivindicar o direito de escolher sem aceitar o dever de assumir as consequências. É fácil reclamar autonomia quando tudo corre bem. Mais difícil é olhar para o espelho quando os resultados não correspondem às expectativas. Porque a maturidade não nasce quando fazemos sempre as escolhas certas. Nasce quando reconhecemos as erradas. Nem sempre escolhemos as circunstâncias Depois há injustiças que não procurámos. Há perdas que não merecíamos. Há dificuldades que surgem sem aviso e que escapam completamente ao nosso controlo. A vida nem sempre é justa. Nem sempre é lógica. Nem sempre recompensa quem mais merece. Mas mesmo nessas situações existe algo que continua a pertencer-nos: a forma como respondemos. Não escolhemos as tempestades, essas chegam pura e simplesmente, às vezes com aviso outras sem qualquer sinal, mas podemos escolher a maneira como as enfrentamos. A escolha é nossa! E muitas vezes é nessa resposta que se revela o verdadeiro carácter de uma pessoa. O poder escondido da responsabilidade Assumir responsabilidade não significa viver carregado de culpa. Significa reconhecer que continuamos a ter influência sobre o rumo da nossa história. Quando deixamos de atribuir aos outros a autoria permanente dos nossos fracassos, recuperamos algo valioso: a capacidade de mudar. Porque aquilo que depende dos outros escapa ao nosso alcance, mas aquilo que depende de nós pode ser transformado. No fim, a escolha continua a ser nossa A vida será sempre uma mistura de acaso e decisão. Haverá caminhos que nos são impostos e outros que escolhemos livremente. Haverá erros inevitáveis e oportunidades inesperadas. Mas, no meio de toda essa complexidade, permanece uma verdade simples. Podemos não ser responsáveis por tudo o que nos acontece, mas somos responsáveis por aquilo que fazemos com o que nos acontece. Responsabilidade máxima pelas escolhas… que vamos fazendo ao longo da vida… e não vale de nada atirar pedras a ninguém! by pedro de melo, 2026
PROCURA NO PORTAL DAS COMUNIDADES
O Fio da Navalha: Escrever Sem Medo Porquê "O Fio da Navalha"? A pergunta é legítima. Porque não “O caderno das ideias”? Ou “As palavras soltas”? Ou até “Crónicas com café”? Mas não. Tem de ser este título: “O fio da navalha.” E porquê? Porque chegou o momento de cortar o mal pela raiz. Sem hesitação. Com precisão. E, verdade seja dita, porque não há tesouras cá por casa — ou pelo menos nunca estão à mão quando mais se precisa. Mas navalhas… essas aparecem sempre. Mesmo que sejam metáforas afiadas. Este é um reencontro com a escrita. Não tardio, não forçado. Simplesmente chegou a hora. Porque as coisas acontecem quando têm de acontecer. Nem antes, nem depois. O tempo é sábio. E às vezes, para voltar a escrever, é preciso primeiro calar. É preciso viver. Um espaço de vida — com vida “O fio da navalha” não é um diário. Nem um manifesto. Nem sequer um espaço com rumo certo. É um lugar onde as palavras serão cruas, espontâneas, talvez até desajustadas. Não por rebeldia, mas por autenticidade. Este será um espaço vivo. E como tudo o que está vivo, pode mudar. Crescer. Adaptar-se. Ou simplesmente desaparecer por uns tempos, sem explicações. Não haverá regras. Só uma:
Porque aqui, os textos podem ser alterados. Atualizados. Rasurados. Hoje fazem sentido, amanhã talvez não. A escrita não é monumento de pedra — é carne e osso. É respiração. É momento. E se algo for reescrito, que seja. Sem pedido de desculpas. Sem necessidade de coerência. Porque a vida também não o é. O que não vais encontrar aqui Não vais encontrar localizações geográficas. Nem marcas de tempo. Não interessa onde estou, a que horas escrevo, ou em que canto do mundo me sento para despejar estas linhas. O espaço é o agora. E o agora é onde a palavra acontece. Se houver mesmo curiosidade… pergunta. Quem sabe até respondo. Ou não. Porque, no fundo, nem sempre interessa onde o corpo está, se a alma está longe. Assuntos que doem — ou que salvam Neste espaço, os temas serão próximos. Pessoais. Até egoístas. Porque, por muito que se tente disfarçar, todos escrevemos sobre nós. Mesmo quando dizemos que não. Mesmo quando usamos metáforas. Mesmo quando inventamos personagens, realidades ou histórias. É uma espécie de confissão. Uma conversa entre egos — ou cegos, como preferirem entender. Podem surgir reflexões banais, dores profundas ou devaneios ridículos. E está tudo certo. Porque isto não é jornalismo, nem literatura. É escrita crua. Esfolada. Sem rascunho. Terceira pessoa? Não, obrigado. Ah, sim. Quase me esquecia. Uma certeza absoluta: não dá para escrever na terceira pessoa. Já tentei. Em tempos. Criei máscaras. Personagens. Vozes distantes. Quis escrever como se fosse outro, apontar verdades, lançar provocações, sem que soubessem que era eu. Queria esconder-me. Proteger-me. Ou talvez enganar-me. Mas não deu. O ego é maior. A primeira pessoa impõe-se. Grita. Reclama espaço. E é essa que fica. A que entra com as botas sujas e se senta sem pedir licença. A que diz o que pensa, mesmo quando não devia. A que fecha a porta, no fim, e fica em silêncio. Sim, será sempre essa primeira pessoa — a que escreve, a que sente, a que parte e volta. Cortar o medo, não as pontas Este “fio da navalha” não serve para cortar pontas espigadas. Serve para ir fundo. Para abrir espaço onde o medo mora. Para expor dúvidas, angústias, alegrias… sem maquilhagem. Porque escrever, para mim, é despir-me devagar. Palavra a palavra. Corte a corte. E se às vezes sangra… é sinal de que ainda estou vivo. Talvez este espaço seja isso mesmo: uma ferida aberta. Mas cuidada. Com intenção. Com arte. Conclusão: E tu, escreves no fio da navalha? Cada um tem o seu fio. O seu limite. O seu ponto onde a coragem encontra o medo e decide avançar. Este é o meu. Talvez escreva para mim. Talvez para ti. Talvez para ninguém. Não interessa. O que importa é que voltei. E volto assim: sem desculpas, sem moldes, sem rede. Se leres hoje… volta daqui a um mês. Prometo que já não será igual. Porque eu também já não serei. |
by pedro de melo, 2019 |

INDEX CULINARIUM XXI, Divulgação Global
























<
Entrar
Eingeben
Entrer