
O Silêncio das Respostas O silêncio é ouro; daí que palavras, em respostas que nunca chegam, tenham um valor especial, digam muito! Embora nem todas as respostas sejam dadas com palavras, umas chegam através de um olhar desviado, de uma mensagem que nunca foi enviada ou de um silêncio prolongado que se instala. E, por vezes, é precisamente aquilo que não é dito que mais fala ao coração. Doi. Ignorar só por si doi… ser ignorado ainda mais… Esperamos explicações! Procuramos frases que esclareçam dúvidas, que fechem feridas ou que devolvam sentido ao que aconteceu, mas nem sempre as encontramos. E o silêncio instala-se… ocupa, enche o espaço… abafa a alma. As poucas palavras dizem tudo, pedidos de desculpa caiem no abismo da apatia, do desinteresse. A força na simplicidade. Há momentos em que uma única frase vale mais do que um discurso inteiro. Um simples "fica bem", um sincero "obrigado" ou um discreto "desculpa" conseguem transportar emoções que páginas inteiras não conseguiriam explicar. As palavras, mesmo poupadas no discurso, tornam-se valiosas quando carregam verdade, pela profundidade que trazem com elas. Talvez por isso existam conversas que esquecemos rapidamente e frases breves que permanecem connosco durante anos; porque os anjos não têm costas… abre-te rapariga… Quando o silêncio responde. Nem sempre o silêncio significa ausência por vezes, é uma resposta Uma resposta que não queremos ouvir, mas que compreendemos. Porque há silêncios que revelam desinteresse, outros que escondem medo, e alguns que nascem da incapacidade de encontrar palavras para sentimentos demasiado complexos. O silêncio pode magoar, mas também pode ensinar. Aquilo que fica por dizer A vida é feita de palavras pronunciadas e de muitas outras que ficaram pelo caminho. No fim, aprendemos que nem todas as respostas chegam da forma que desejamos. Algumas vêm embrulhadas em poucas palavras. Outras chegam através da ausência delas e são essas às vezes as que mais doem… E, ao mesmo tempo, talvez a maturidade esteja em compreender que o coração nem sempre precisa de longas explicações. Porque há silêncios que gritam. E poucas palavras quando saem do coração que dizem tudo. By pedro de melo, 2024
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O Fio da Navalha: Escrever Sem Medo Porquê "O Fio da Navalha"? A pergunta é legítima. Porque não “O caderno das ideias”? Ou “As palavras soltas”? Ou até “Crónicas com café”? Mas não. Tem de ser este título: “O fio da navalha.” E porquê? Porque chegou o momento de cortar o mal pela raiz. Sem hesitação. Com precisão. E, verdade seja dita, porque não há tesouras cá por casa — ou pelo menos nunca estão à mão quando mais se precisa. Mas navalhas… essas aparecem sempre. Mesmo que sejam metáforas afiadas. Este é um reencontro com a escrita. Não tardio, não forçado. Simplesmente chegou a hora. Porque as coisas acontecem quando têm de acontecer. Nem antes, nem depois. O tempo é sábio. E às vezes, para voltar a escrever, é preciso primeiro calar. É preciso viver. Um espaço de vida — com vida “O fio da navalha” não é um diário. Nem um manifesto. Nem sequer um espaço com rumo certo. É um lugar onde as palavras serão cruas, espontâneas, talvez até desajustadas. Não por rebeldia, mas por autenticidade. Este será um espaço vivo. E como tudo o que está vivo, pode mudar. Crescer. Adaptar-se. Ou simplesmente desaparecer por uns tempos, sem explicações. Não haverá regras. Só uma:
Porque aqui, os textos podem ser alterados. Atualizados. Rasurados. Hoje fazem sentido, amanhã talvez não. A escrita não é monumento de pedra — é carne e osso. É respiração. É momento. E se algo for reescrito, que seja. Sem pedido de desculpas. Sem necessidade de coerência. Porque a vida também não o é. O que não vais encontrar aqui Não vais encontrar localizações geográficas. Nem marcas de tempo. Não interessa onde estou, a que horas escrevo, ou em que canto do mundo me sento para despejar estas linhas. O espaço é o agora. E o agora é onde a palavra acontece. Se houver mesmo curiosidade… pergunta. Quem sabe até respondo. Ou não. Porque, no fundo, nem sempre interessa onde o corpo está, se a alma está longe. Assuntos que doem — ou que salvam Neste espaço, os temas serão próximos. Pessoais. Até egoístas. Porque, por muito que se tente disfarçar, todos escrevemos sobre nós. Mesmo quando dizemos que não. Mesmo quando usamos metáforas. Mesmo quando inventamos personagens, realidades ou histórias. É uma espécie de confissão. Uma conversa entre egos — ou cegos, como preferirem entender. Podem surgir reflexões banais, dores profundas ou devaneios ridículos. E está tudo certo. Porque isto não é jornalismo, nem literatura. É escrita crua. Esfolada. Sem rascunho. Terceira pessoa? Não, obrigado. Ah, sim. Quase me esquecia. Uma certeza absoluta: não dá para escrever na terceira pessoa. Já tentei. Em tempos. Criei máscaras. Personagens. Vozes distantes. Quis escrever como se fosse outro, apontar verdades, lançar provocações, sem que soubessem que era eu. Queria esconder-me. Proteger-me. Ou talvez enganar-me. Mas não deu. O ego é maior. A primeira pessoa impõe-se. Grita. Reclama espaço. E é essa que fica. A que entra com as botas sujas e se senta sem pedir licença. A que diz o que pensa, mesmo quando não devia. A que fecha a porta, no fim, e fica em silêncio. Sim, será sempre essa primeira pessoa — a que escreve, a que sente, a que parte e volta. Cortar o medo, não as pontas Este “fio da navalha” não serve para cortar pontas espigadas. Serve para ir fundo. Para abrir espaço onde o medo mora. Para expor dúvidas, angústias, alegrias… sem maquilhagem. Porque escrever, para mim, é despir-me devagar. Palavra a palavra. Corte a corte. E se às vezes sangra… é sinal de que ainda estou vivo. Talvez este espaço seja isso mesmo: uma ferida aberta. Mas cuidada. Com intenção. Com arte. Conclusão: E tu, escreves no fio da navalha? Cada um tem o seu fio. O seu limite. O seu ponto onde a coragem encontra o medo e decide avançar. Este é o meu. Talvez escreva para mim. Talvez para ti. Talvez para ninguém. Não interessa. O que importa é que voltei. E volto assim: sem desculpas, sem moldes, sem rede. Se leres hoje… volta daqui a um mês. Prometo que já não será igual. Porque eu também já não serei. |
by pedro de melo, 2019 |

INDEX CULINARIUM XXI, Divulgação Global


















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