porto douro

 

AS PALAVRAS QUE NASCEM DAS FERIDAS

Há palavras, palavras e palavras, palavras bonitas e palavras verdadeiras, escritas ou faladas e que podem ou não agradar.

Depois existem as palavras sofridas serão uma segunda categoria, porque não procuram impressionar nem convencer. Nascem diretamente das feridas e das cicatrizes das mesmas, das noites difíceis, das despedidas mal resolvidas e das lágrimas que ninguém viu cair, por isso tocam tão fundo.

As palavras poupadas omitem tudo… e dizem demais… limitam-se a adiar num clima de gemidos ocasionais e respiração profunda, que abafa todo o resto, mesmo até o reencontro.


As palavras escritas

Nas palavras escritas é diferente o cenário, na calma do tempo de uma leitura há espaço para o reencontro… haja pachorra…

Porque quem as lê reconhece nelas algo de si próprio, dores semelhantes, perdas parecidas. Feridas carregadas em outros silêncios. E a dor partilhada deixa de estar sozinho. O alívio de ser compreendido…

Existe uma forma especial de conforto quando conseguimos colocar em palavras aquilo que não conseguimos explicar. A escrita tem esse dom… quando inspirada.

De repente, percebemos que não somos os únicos a sentir certas angústias. Que outros já caminharam por desertos parecidos em travessias solitárias ao som das mesmas músicas.

E essa descoberta tem algo de profundamente curativo. Não porque resolve os problemas, mas porque ilumina a escuridão.


Partilhar para continuar

Talvez seja por isso que escrevemos, conversamos e desabafamos, teclamos… não para encontrar respostas perfeitas, essas ninguém as consegue dar, mas para tornar o peso mais leve.

No fim, as palavras sofridas são como pequenas lanternas acesas na noite. Não afastam totalmente a escuridão, mas ajudam-nos a encontrar o caminho.

E talvez a maior beleza da partilha da dor esteja precisamente aí: quando uma ferida contada com sinceridade deixa de ser apenas sofrimento e se transforma numa ponte entre almas que aprendem ou reaprendem, juntas, a continuar. by pedro de melo, 2026

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O Fio da Navalha: Escrever Sem Medo

“O Fio da Navalha” é um reencontro com a escrita. Um espaço sem regras rígidas, onde as palavras surgem cruas, espontâneas e livres de máscaras. Não é diário, manifesto ou literatura: é simplesmente um lugar onde escrever significa viver, mudar e, se necessário, reescrever.

Aqui, os textos não são definitivos. Hoje dizem uma coisa, amanhã podem dizer outra, porque quem escreve também muda. Não interessam lugares, horas ou coordenadas. Interessa o momento e aquilo que merece ser dito.

Os temas serão pessoais: dúvidas, alegrias, dores, memórias, provocações e devaneios. Sempre na primeira pessoa, porque esconder o autor atrás de personagens deixou de fazer sentido.

Podes pegar neles, adpatar e reenviar, será publicada a tua versão... até que alguém se lembre de pegar nela e alterar. É um jogo talvez. 

Escrever no fio da navalha é cortar o medo. É expor pensamentos sem maquilhagem, aceitar contradições e avançar sem rede.

Voltei à escrita. Sem desculpas, sem moldes e sem medo.

 

lamina

crónicas distantes, sem tempo, sem nexo, para usares e abusares... copia, altera, faz tuas as palavras...
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by pedro de melo, aquele a quem roubaram o mar...

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