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O Valor das Coisas que Estão à Mão

O hábito de olhar para longe

Muitas vezes, admiramos jardins distantes enquanto deixamos secar as flores que crescem junto à nossa porta. E nem damos por isso..
Existe uma estranha tendência humana para procurar ao longe aquilo que já possui perto.

É como se o que está à nossa frente perdesse brilho apenas por estar disponível. Como se a proximidade retirasse valor às pessoas, aos momentos e às oportunidades que fazem parte do nosso quotidiano.

A rotina tem esse poder silencioso: transforma privilégios em hábitos e presenças em certezas absolutas. Estupida e erradamente absolutas!


Quando o extraordinário se torna invisível

Há pessoas que passam anos à nossa volta oferecendo amizade, apoio, compreensão e afeto. Estão presentes nos dias bons e, sobretudo, nos dias difíceis. Escutam, ajudam, compreendem e permanecem.
Mas a familiaridade cria uma ilusão perigosa. Acreditamos que estarão sempre ali. Esquece-se a gratidão que, se calhar, nunca existiu.

Não é falta de amor... é distração...
Distraídos damos mais valor ao que aí vem do que ao que está presente.


A ilusão da próxima felicidade

Vivemos frequentemente convencidos de que a felicidade está sempre no próximo destino.
No próximo emprego. Na próxima casa. Na próxima conquista. Na próxima relação. No próximo capítulo da vida.

E, enquanto perseguimos aquilo que ainda não chegou, deixamos escapar aquilo que já existe.
Esquecemo-nos de apreciar o café partilhado sem pressa. A conversa simples. O abraço habitual. A presença constante de quem escolhe ficar quando tantos escolhem partir.

Mas só percebemos isso quando desaparecem… quando partem… ou quando apanham o barco…


A lição da ausência

Poucas lições são tão duras como a perda.
Quando alguém se afasta no ribeiro, quando uma oportunidade termina ou quando o tempo leva aquilo que julgávamos garantido, surge uma clareza dolorosa.

De repente, recordamos detalhes nas palavras simples, nos gestos discretos, na companhia silenciosa.
Apenas os nossos olhos estavam distraídos. Mas pode ser tarde demais…


Aprender a ver antes de perder

Talvez a maturidade consista precisamente nisso: desenvolver a capacidade de reconhecer o valor das coisas enquanto ainda as podemos tocar.
Agradecer antes da despedida. Cuidar antes da distância. Valorizar antes da ausência.

Porque a vida não é feita apenas de grandes conquistas. É feita, sobretudo, das pequenas presenças que sustentam os nossos dias e que tantas vezes tomamos por garantidas.
E talvez a verdadeira sabedoria seja aprender a vê-los enquanto ainda estão connosco, em vez de lhes descobrir o valor apenas quando já se transformaram em saudade.

Só que às vezes é tarde demais… by pedro de melo, 2026

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O Fio da Navalha: Escrever Sem Medo

“O Fio da Navalha” é um reencontro com a escrita. Um espaço sem regras rígidas, onde as palavras surgem cruas, espontâneas e livres de máscaras. Não é diário, manifesto ou literatura: é simplesmente um lugar onde escrever significa viver, mudar e, se necessário, reescrever.

Aqui, os textos não são definitivos. Hoje dizem uma coisa, amanhã podem dizer outra, porque quem escreve também muda. Não interessam lugares, horas ou coordenadas. Interessa o momento e aquilo que merece ser dito.

Os temas serão pessoais: dúvidas, alegrias, dores, memórias, provocações e devaneios. Sempre na primeira pessoa, porque esconder o autor atrás de personagens deixou de fazer sentido.

Podes pegar neles, adpatar e reenviar, será publicada a tua versão... até que alguém se lembre de pegar nela e alterar. É um jogo talvez. 

Escrever no fio da navalha é cortar o medo. É expor pensamentos sem maquilhagem, aceitar contradições e avançar sem rede.

Voltei à escrita. Sem desculpas, sem moldes e sem medo.

 

lamina

crónicas distantes, sem tempo, sem nexo, para usares e abusares... copia, altera, faz tuas as palavras...
Sobre ribeiros secos
 
Sobre libertar uma borboleta
 
Os homens não choram
 
A arte de saber partilhar
 
A beleza das coisas
 
Ignorar não é pensar positivo
 
Sobre dar e receber
 
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As portas fechadas
 
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O tamanho da alma
 
Parasitas da alma
 
Quebrar o gelo
 
O valor das coisas
 
Sobre envelhecer
 
O medo das respostas
 
Zangado com o mar
 
Tristeza versus raiva
 
Ribeiros e mares
 
Sobre lobos e águias
 
Outro dia... Outro lugar
 
A casa às costas
 
Coisas que não digo
 
Onde fui... quando desapareci
 
A pele que se veste
 
O homem livre
 
O Senhor Contente
 
Sobre a vaidade
 
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Banal realidade
 
O soldadinho de chumbo
 
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Outubro e os sonhos
 
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O fio da navalha
 
Outro dia … outro lugar...
 
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Decide-te... agarra a tua vida...
 
O fogo que arde em ti... convicção ou convencido!
 
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Ajuste de contas...
 
Não me roubem o mar...
 
Esperas e outras horas vazias...
by pedro de melo, aquele a quem roubaram o mar...

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