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Sobre Marcas nas Paredes As Quatro Testemunhas Silenciosas As paredes têm memória. Podem não falar, mas guardam tudo: o riso, o choro, os silêncios pesados e até os segredos que ninguém ousa confessar. Cospem escárnio as quatro paredes à tua volta, como se te lembrassem, sem piedade, de todas as vezes que sonhaste alto… e caíste. Um mar de tristeza envolve-te, um manto frio que contrasta com o calor que aquelas mesmas paredes já conheceram. Um dia, elas foram esperança. Um dia, foram abrigo e promessa. E, no entanto, voltas sempre. Como quem regressa a um lugar que dói, mas que é impossível abandonar. O Espelho dos Sonhos Nos teus sonhos, as paredes também aparecem. Não como simples tijolos, mas como espelhos que devolvem imagens distorcidas de histórias antigas. Histórias que ficaram gravadas, não apenas na memória, mas nas emoções mais escondidas. São lembranças que se colaram à alma como pó aos cantos de uma casa antiga. Algumas, vividas até às cinco da manhã, entre gemidos e confissões, entre sussurros que não foram apenas teus, mas que pertenceram a outros — a outros que também acordaram com o peso dessas madrugadas. Mulheres, Portas e Malas Leves Há portas que viram mais despedidas do que chegadas. As mesmas portas por onde passaram mulheres que, quase sempre, carregavam malas leves. Não leves por falta de pertença, mas porque sabiam que não valia a pena trazer demasiado para um lugar onde nada dura. Ali perto, a ponte. Uma passagem simples, feita para unir margens, mas que tantas vezes foi apenas um símbolo de fuga. Cruzar aquela ponte não é começar, é apenas deixar para trás. São histórias que ninguém quer contar, mas que, por vezes, se contam porque tem de ser. Não para reviver, mas para finalmente largar. Os Ruídos Que Não Deixam Dormir A noite traz sons. Portas a bater, passos apressados, risos abafados ou discussões que se perdem no eco do corredor. Mas não são esses ruídos que te acordam. Há outros, mais profundos, que não vêm do exterior. São barulhos da alma, inquietações que não se calam mesmo quando o mundo adormece. São pensamentos que se repetem como um disco riscado, memórias que insistem em regressar quando o silêncio é maior. O Vaivém do Ritmo Louco O lugar tem um pulso próprio. Há um vaivém constante, como se a vida ali fosse um comboio que nunca pára na estação. Gente a entrar, gente a sair, promessas feitas num dia e esquecidas no seguinte. Nesse ritmo louco, parar parece sinónimo de desistir. Mas continuar também cobra um preço alto: a exaustão de nunca ter um chão firme, de viver sempre a meio caminho entre o que foi e o que poderia ter sido. E não há reverso. Aqui, as decisões raramente têm volta atrás. Uma vez dita, a palavra não se apaga. Uma vez quebrada, a confiança não se recompõe. O Peso Invisível Não é apenas a tristeza que se acumula nas paredes — é também a energia de tudo o que ali aconteceu. Cada conversa cortada a meio, cada porta que se fechou com raiva, cada abraço que não chegou a acontecer. Essas marcas não se vêem, mas sentem-se. É como entrar num quarto onde o ar está mais pesado, onde cada respiração parece carregar uma história que não é tua, mas que, de alguma forma, te toca. Há lugares que nos habitam mais do que nós os habitamos. Entre a Memória e o Esquecimento O desafio é este: como seguir em frente sem carregar tudo? Como aprender com o que ficou para trás sem permitir que se torne uma âncora? Talvez a resposta esteja em aceitar que algumas memórias não precisam ser apagadas — apenas guardadas num canto seguro, onde já não possam ferir. Porque esquecer, às vezes, não é possível. Mas transformar o peso em lição… isso sim. As Paredes Falam Se as paredes pudessem falar, talvez não fossem tão cruéis como pensamos. Talvez, em vez de escárnio, nos devolvessem um aviso: “Não te esqueças do que aprendeste aqui.” Talvez, no fundo, não queiram aprisionar-nos, mas sim lembrar-nos que já sobrevivemos antes, e que podemos fazê-lo outra vez. Mas é difícil ouvir essa voz quando o eco das perdas ainda é mais alto. É difícil acreditar que o lugar que nos magoou possa também ter sido o mesmo que nos fortaleceu. O Silêncio Que Cura Chega um momento em que o barulho — interno e externo — se esgota. Fica apenas o silêncio. E, no início, esse silêncio é estranho, até desconfortável. Mas, com o tempo, começa a curar. Talvez seja preciso olhar para essas paredes uma última vez e dizer-lhes, em voz baixa: “Obrigada. Agora posso ir.” Não porque tudo ficou bem, mas porque já não é preciso carregar aquilo para o futuro. Conclusão: As Marcas São Nossas As marcas nas paredes podem ser pintadas, escondidas sob uma nova cor. Mas as marcas que ficam em nós… essas só o tempo sabe como suavizar. E talvez seja esse o ponto: não apagar, mas aceitar. Cada arranhão, cada fissura, cada mancha é parte da história. E, por mais que doa, é essa história que nos molda. No fim, não é sobre as paredes. É sobre nós. Sobre como aprendemos a viver com as nossas próprias marcas — e, um dia, a olhá-las sem dor, como quem olha para um quadro antigo e reconhece nele não só o sofrimento, mas também a beleza.
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