Perdas de Tempo…
Só se perde aquilo que se possui.
Ou que, de alguma forma, trazemos connosco.
Perder tempo só é possível quando há tempo a perder.
E, mesmo assim, há dias em que o tempo parece escorregar-nos entre os dedos como areia fina —
sem aviso, sem retorno.
As lutas diárias mostram-nos como é fácil, e por vezes até apetecível, desperdiçar tempo.
Fugir da realidade, da rotina urbana, profana, tantas vezes árida, é tentador.
E basta um instante.
Um deslize, um suspiro, uma distração —
e lá estamos, novamente, a perder o tal dito… tempo.
Perdemos tempo em desvios mesquinhos.
Coisas pequenas, irrelevantes, quase ridículas, mas que se infiltram nos nossos dias com a subtileza de quem já conhece o caminho.
Sem serem pecado julgado, estes desvios tornam-se uma constante.
Mas a culpa não é só deles.
As lutas que enfrentamos também nos obrigam, muitas vezes, a soltar as amarras de outros compromissos, a fugir de tudo… até do tempo.
Fugir de si próprio é, afinal, uma das mais eficazes formas de se perder.
E depois há os sonhos.
As ideias.
As vontades que pertencem a outros, mas que ainda assim ousamos imaginar como nossas.
Perdemo-nos com histórias que nunca viveremos.
Com futuros que nunca chegarão.
Com versões de nós que nunca existiram.
E, sem dar por isso, lá se vai mais tempo.
Tempo que, mais tarde, nos fará falta —
para lutas mais simples, mais reais, mais leves… mais nossas.
Mas se, no fim, a vida tiver sido uma perda de tempo, será hipocrisia ficar a lamentar.
Afinal, a perda também forma.
A ausência também ensina.
Não se cresce apenas no acerto.
As escolhas que fizemos — certas ou erradas — foram feitas no tempo possível.
Sem grandes alternativas.
Sem comparações perfeitas.
Foram feitas com o que sabíamos.
Com o que tínhamos.
Com o que sentíamos.
E se dessas perdas, desses desvios, ficar algo que nos transforme,
ou pelo menos nos dê alento para futuras batalhas,
então valeu a pena a história da fuga.
Porque nem sempre se luta de frente.
Às vezes, o recuo também é avanço.
Às vezes, a pausa também é coragem.
Agora…
se não aprendemos nada,
se tudo o que ficou foi vazio, cansaço e frustração,
então talvez fosse melhor ter ficado onde estávamos.
Ou, pelo menos, não nos termos perdido tão longe.
E ficamos então perdidos na espera,
a imaginar como teria sido se tivéssemos tido mais tempo.
Mas essa é outra ilusão.
O tempo nunca é mais.
Nem menos.
É só o que é.
E a verdade nua e crua:
os anos passam.
As histórias repetem-se.
As tarefas enchem os dias.
O tempo vai sendo ocupado… com tudo, menos connosco.
E no meio dessa pressa toda,
nem sobra tempo para gozar com o tempo.
Para rir da ironia.
Para respirar fundo e perguntar:
“O que fiz hoje com o tempo que me foi dado?”
Somos donos do nosso tempo.
Dizem.
E talvez até sejamos.
Mas o tempo, esse, não é nosso.
Passa com ou sem nós.
Aproveitá-lo é um dever.
Mas também um privilégio.
E no fim, talvez a única perda verdadeira…
seja a de nunca termos sabido o valor do tempo enquanto o tínhamos.

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